sábado, 30 de março de 2013

Olharam-se nos olhos. Peitos roçando o medo do outro.


- Sou virgem de gozo, e puta da dor. Você entra em mim?

- Eu gozo lágrima.


Treparam-se.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Carta de uma psicanalista existencial a um existencialista cético, encontrada na encruzilhada, em 12.10.2012.

"Não sei mais se te quero pra preencher meu vazio, ou se você não é meu próprio buraco. Sinto que não há eu, não há você, e por isso não te quero. [Eu me quero]. Nessa busca incessante quem eu nunca achei fui eu. E por isso não consigo te esquecer. Você que me dá nome. Quando sou este buraco é você que eu chamo. Não a quem eu chamo: mas o que eu me chamo. Você me dá forma. Assim, aberta, obtusa. Essa que sou. Vazio que sempre fui, você cava. Abre. Expõe. Por isso a necessidade de te expor também, sempre (em palavras). Porque eu já me abri, mas preciso de letras pra me contornar. Te preciso pra me conformar. Mas te precisar, por te desejar, precisaria me ter primeiro. E não sei. Não sei se és um objeto de desejo, ou se meu próprio desejo. Meu discurso. Meu lugar da palavra. Que me cala. Meu silêncio, que tento cobrir de linhas e versos."

quinta-feira, 7 de março de 2013

nada ponto

Preciso que meu braço te soletre.

Que a íngua da minha linha
erre na língua da tua lua
que míngua
brincante.

Quero que o roncar de cada osso
[O rancor de cada falo]
O romper de cada pele
Tire você do silêncio,
do desejo.

E que te inunde
de tudo aquilo que me rói (dói).

Sobrevivo a cada fábula enzimática que me tem
E preciso de tua unha em meu vermelho-ovo
pra que eu não me seja mais
[não como uma fuga antropológica que corre no eixo do mesmo,
mas como um brotar amoroso que se envolve em tudo aquilo que lhe nega]

hojeontem

Hoje me disseram pra parar.
Pra assumir quem eu sou quem eu posso ser o que quero pra mim.
E o que mereço pra mim.
Mérito.

Hoje me deram parabéns.
Me disseram que tenho metas que as alcanço e que conseguirei muito mais.
Conseguir.
Ir atrás.
Conseguir ir atrás do que eu quero.
E poder. Poder o que quero.
E não temer o que posso.

Hoje sorri e agradeci e ouvi.
E chorei.
E chorei e chorei.
A falta que me faz e a que deveria fazer.
Revi as vontades e não saí do lugar.
Dei voltas e voltas e cheguei aqui, já tonta.


Hoje me pergunto de você.
Hoje me respondo e nem sei.
Hoje de tantos ontens.

Ontem de poucos eus, e hoje me procuro e me encontro.
Aqui.
Tonta.
E sem você.

E com tanto. Com tantos.
Agradeço ouço abraço defendo o seu nome por amor.
[Mas só em codinome, beija-flor.]


Hoje dói a perna de tanto andar.
E hoje preciso correr.