sábado, 31 de janeiro de 2009

Sendo (porque não existe ser)

A chuva,
a rede,
o brigadeiro.
Todos me são.
As flores de pano
e as de primavera.
O assobio do vento.
Tudo me é.

Não que sejam meus.
Não,
o cheiro da chuva e o gosto do doce não me pertencem.
Os pássaros não cantam para mim.
Todos
me fazem.

Assim como o rio é feito de água.
E de chuva.
E de terra.
E de Caeiro para olhar ou de "Tejo" para vender.

Meu rio também corre.
E é cada pedra que cai.
Cada mão que mergulha pra lavar a alma.

Minha alma é água.
É matéria viva que escorre entre os dedos.

Minha alma cai do céu e molha os pés.
Quando sou chuva.
Porque se sou vento,
eu assobio.
Se sou sol,
fujo das nuvens.
E para ser, eu sou tudo.

Sou todos os retalhos que me formam.
E sou a linha que os amarra.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

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Acabou Chorare
Os Novos Baianos

Composição: Galvão - Moraes Moreira

Acabou chorare, ficou tudo lindo
De manhã cedinho, tudo cá cá cá, na fé fé fé
No bu bu li li, no bu bu li lindo
No bu bu bolindo
No bu bu bolindo
No bu bu bolindo

Talvez pelo buraquinho, invadiu-me a casa, me acordou na cama
Tomou o meu coração e sentou na minha mão

Abelha, abelhinha...

Acabou chorare, faz zunzum pra eu ver, faz zunzum pra mim

Abelho, abelhinho escondido faz bonito, faz zunzum e mel
Faz zum zum e mel
Faz zum zum e mel

Inda de lambuja tem o carneirinho, presente na boca
Acordando toda gente, tão suave mé, que suavemente
Inda de lambuja tem o carneirinho, presente na boca
Acordando toda gente, tão suave mé, que suavemente

Abelha, carneirinho...

Acabou chorare no meio do mundo
Respirei eu fundo, foi-se tudo pra escanteio
Vi o sapo na lagoa, entre nessa que é boa

Fiz zunzum e pronto
Fiz zum zum e pronto
Fiz zum zum

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Voltas (ou Volte)

Enquanto eu fico no silêncio das cadeiras, os ponteiros sussurram lentamente cada segundo que estou sem você.
Soluçam.
Quase choram sua ausência.
Me fazem lembrar que minutos viram horas, horas viram dias, e estou a meses sem te ver.
A cada volta dos 60, tudo volta. O toque das suas mãos e as palavras da tua boca.
A cada volta do planeta, tudo muda, e eu tenho medo de te esquecer.