quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

masturbação verbal

então ta, vou tentar falar de você.
é isso que quer, não é? ouvir eu me derramar sobre seu corpo e sentir o gosto da minha vitória.
pronto, pode se deitar. que já me delato e satisfaço seu desejo.
contando do meu, de você.
surpresa que foi, isso.
me entrego em cada palavra e você ri.
quando eu ia imaginar?
finge você que já sabia. como se plano tivesse sido.
mas gostamos. nos lambuzamos de graças até ver que custaria caro.
me é caro você, agora.
que se preocupa com o que posso querer dizer.
e querer não quero dizer nada. estou dizendo. e isso é exatamente igual a isso.
que sei que não é bom em matemática, que já poderia saber há tempos.
mas tento a lógica pra não te fazer gozar de cara.
porque sabemos do tamanho da graça. se fingia que não sabia agora escancaro em palavras baratas e fecho os olhos pra não encarar os seus.
bonitos que são, os seus.
bonitos que são.
mas fogem que sei, fogem que entregam o menino de tempos que nunca nos deixa.
da minha você se lembra e me faz rir. e ri também com surpresa nos olhos.
(já falei de sua beleza, não?)
boba que sou escorrego em nós e você já está quase lá.
os tantos poemas escritos na escadaria se sussurram.
você me agradeceu por aquela e hoje te retribuo com estas estrelas - e algumas nuvens, não podemos negar.
e sua risada me faz sentir inútil a tentativa do disfarce.
você já sabe
e eu já sei
das palavras que tanto faltam estamos fartos.
Agora, que o mundo me faz sentido, passei a ter medo da morte.
Da dor, sim, do como, e claro, do quando. Porque sem viver não fazia diferença.
Morte do quê? Da espera. Glória poderia ser.
Mas agora dói. Perder a vida assusta porque a ganhei. Porque é tão mistério vazio bonito se viver.
Ser esse recorte cria mundo que tudo inventa e crê. E tudo é, então. Mas ainda vai não ser.
Ou não vai.

*questionar a realidade é ser realista (conversa de bar)
*90% do que escrevo é invenção. só 10% é mentira (manoel de barros)

papinho

- ...
- ...
- Você se incomoda com isso?
- Isso o que?
- O silêncio.
- Não. Nada. Você se incomoda?
- Não. É que sei lá, tem gente que não gosta. Fica sem graça.
- Isso me irrita muito mais.
- Isso o que?
- Isso, de não poder ficar em silêncio.
- É, acho que as pessoas deviam..
- ser mais sinceras?
- Sinceras? Que que a sinceridade tem a ver?
- Ué, só falar o que realmente tem vontade de dizer. Precisa ser dito. Não pra preencher silêncio.
- ...
- Aliás acho que a gente devia é ficar sem graça de quebrar o silêncio. Sabe? Respeitar tanto ele que tem que tomar muito cuidado pra não quebrá-lo com qualquer besteira.
- Nossa. Essa foi a coisa mais bonita que eu já ouvi.
- A segunda.
- Por quê? Qual foi a primeira?
- O silêncio.
- ...
- ...
- Caralho!
- E essa foi a terceira.