sábado, 23 de abril de 2011

1m34s

tenho percebido do gosto por ficar no entre
não no imperativo, apesar da vontade
o prazer do enquanto
ainda não
o jogo do chegar aonde já se está

como todo bom músico
que adora mesmo o silêncio
por saber que ele é quem faz o som


ficar na pausa
no pé do contratempo
no respiro antes do fim

tocando a vida de melodias simples e por vezes de uma nota só
que dá o tom de sempre enquanto que nunca

e do medo que dá do depois
já que não tem antes

e então fico no aqui




(e isso não é lamento. es la mente)
(......entre corpos sãos, mentem.....)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

na pesca

Era só uma vontade de chorar, ela dizia. E era mesmo. Devia de ser.
Só que 'só' não é pra coisa pouca. É pra coisa única, que por isso pode ser grande. Maior que resto.
E era só vontade. Que o choro mesmo não chorava. Só subia até apertar a garganta e voltava pro aonde de onde veio.
Estava cansada da busca por palavras e tentava me explicar com as mãos. Com elas e com as sobrancelhas, os peitos e os pés me ficava claro: ela não queria me dizer nada.
Porque nada tinha acontecido e nada ia acontecer.
Nem o choro era chorado, menino, ia ser falado o que?
Era só um compartilhar de vazios, enchendo o ar de pulmões.
Descanso da língua e dos olhos.
Não tem perguntas nem angústias nem praquês nem porquês.
Só quero ouvir nada pescar sono saltar vôo, ela ousou dizer.
Eu respondi sonha,
e ela dormiu.