quinta-feira, 7 de maio de 2009

Onde não cabe

Vazio. É muita coisa junta que não faz sentido. É tudo e mais um pouco que eu não quero. É excesso disso que não é. Disso que não é aquilo.
Vazio é isso. São todos os pensamentos sentidos e falados que não fazem diferença. São todas as preocupações que só estão no pré, e nem ocupam.
É ocupar o lugar que não existe. Preencher o espaço só com tempo. (E não ter tempo para o seu espaço)
O vazio é vago. É amplo. É querer encher onde já transbordou. É o medo do muito.
É vagar por um caminho já percorrido.
É a dor do que não fere. O choro de quem não sofre.
Cem lágrimas.
Vazio é isso.
É isso que não se sente. Que não se fala. Isso que não se conta.
É uma música que se ouve ao longe. Uma flor que não se abre. Um olho que não fecha. E que não sonha.
É isso.
É o cinza de todos os sóis. O sono de toda manhã. O barulho do vento que não assobia.
É isso.
O X da resposta.
Isso.
Nó na garganta.
Isso.

3 comentários:

BAR DO BARDO disse...

vazio zen
vazio tao te ching
vazio que se preenche com poesia

Rebecca Loise disse...

você é livia, digo, linda de morrer.

D. Schuberstein disse...

(já queria deixar um visto aqui faz tempo, é q sabe como é: abandonar tem q ir sendo) que beleza de texto! acho q vc tem o dom da arte de me emocionar