quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sobre a vida que não tem cabido em palavras

Por ser grande e estreita demais
Por escapar dos dedos como se fosse concreto

O tudo não tem se feito portátil
(tátil)
por estar mais pro nada

Por estar mais mergulhado no vácuo e transbordando de vazios
(eu acho que já falei disso)

Por estar se repetindo
Se anulando
Se negando sem chegar a um eu

Por estar se explicando

A vida, por estar acontecendo

Não tem se enforcado nas linhas


A vida, que nao tem cabides onde me pregar

As palavras, que não tem cabido.

4 comentários:

B. Fleischer disse...

ai, q delícia...!!! como teus textos me fazem bem. tava com saudades, varias! adorei, adorei,... esse texto. soh tenho a agradecer

Rebecca Loise disse...

Na panela, todas as migalhas da vida numa cabidela.

Giuliano Quase disse...

Você já leu "O primeiro amor" de Beckett?

Um beso

Yo disse...

as palavras assaltam
e ficam na ilusão
de que sequestraram

que fique claro:
isso é um assalto!